Polineuropatia inflamatória ou neuropatia diabética? O diagnóstico certo pode mudar vidas
Uma doença rara pode se confundir com complicações do diabetes — e o tratamento é completamente diferente
Nem todo formigamento, dor ou fraqueza nas pernas em pessoas com diabetes é resultado da neuropatia diabética, condição na qual a glicemia mal controlada lesiona, com o tempo, nervos do corpo. Existe uma doença rara de nome complicado — polirradiculoneuropatia inflamatória desmielinizante crônica (PIDC) —, que pode imitar os sintomas do diabetes e atrasar o diagnóstico correto.
Reconhecer a diferença é vital, porque a PIDC tem tratamento específico, mas a demora na detecção compromete para sempre a qualidade de vida da pessoa.
Essa é uma doença autoimune que ataca a bainha de mielina dos nervos, uma espécie de “capa protetora” responsável por transmitir os sinais elétricos do cérebro para os músculos. Em outras palavras, o sistema de defesa composto por células e anticorpos começa a destruir parte do corpo da própria pessoa. Quando a mielina é destruída, os impulsos ficam lentos, causando fraqueza progressiva, perda de reflexos e dificuldades para andar.
Como diferenciar a PIDC das complicações do diabetes
Ambos causam dormência e alterações nos pés e nas mãos. No entanto, existem pistas importantes que pendem o diagnóstico para o lado da PIDC:
- Fraqueza maior do que a esperada para neuropatia diabética
- Evolução progressiva acima de dois meses
- Perda acentuada de reflexos
- Alterações típicas nos exames de condução nervosa
- Proteína elevada no liquor sem aumento de células
Quando esses sinais aparecem, é hora de investigar a presença da PIDC. Já a neuropatia diabética tende a provocar mais sintomas sensitivos, como dor e formigamento.
A PIDC afeta em torno de 17 pessoas a cada 100 mil adultos. Mesmo rara, sua importância é enorme: um diagnóstico perdido pode custar limitações físicas evitáveis. Cada mês sem tratamento adequado compromete os músculos, o que significa fraqueza e perda de autonomia.
Para quem possui diabetes e apresenta sintomas neurológicos fora do esperado, é essencial que médicos pensem em PIDC como uma possibilidade.
Tratamentos disponíveis
A boa notícia é que a PIDC tem tratamento. As opções incluem:
- Imunoglobulina intravenosa (IgIV), que regula a resposta do sistema imunológico
- Corticosteroides, que reduzem a inflamação dos nervos
- Plasmaférese, técnica que filtra anticorpos do sangue
Todos esses métodos têm eficácia comprovada em reduzir sintomas, melhorar a força e frear a progressão da doença.
A novidade: HyQvia chega ao Brasil
Essa medicação mescla a imunoglobulina G com hialuronidase recombinante, permitindo uma aplicação sob a pele (via subcutânea), em vez de na veia. Isso traz mudanças para a vida do paciente:
- Aplicação mais confortável
- Possibilidade de fazer a infusão em casa, após treinamento, sem depender sempre de hospitais
- Frequência menor de aplicação: a cada 3 ou 4 semanas (em vez de várias vezes por mês)
- Maior autonomia e qualidade de vida, com capacidade comprovada de prevenir recaídas da doença.
Em estudos clínicos internacionais, HyQvia mostrou uma diminuição significativa no risco de piora clínica em comparação ao placebo, além de segurança a longo prazo. Sua chegada ao Brasil representa um divisor de águas no tratamento da PIDC.
Se você tem diabetes, mas sente que a fraqueza está piorando rapidamente, insista em investigar. A PIDC pode ser rara, porém não deve ser invisível. O futuro para quem convive com essa condição está mais esperançoso do que nunca.
28 de agosto de 2025
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