Um só comprimido, três armas contra a pressão alta: novidade no tratamento da hipertensão
Inovação avaliada em ensaio clínico com pesquisadores brasileiros apresentou resultados animadores na simplificação do tratamento
A hipertensão arterial, popularmente chamada de pressão alta, é um dos maiores vilões silenciosos da saúde. No Brasil e no mundo, milhões de pessoas convivem com o problema sem nem perceber – até que surgem complicações sérias como infarto, derrame cerebral ou insuficiência renal. Controlar a pressão é, portanto, uma questão de vida ou morte. Mas, na prática, nem sempre é tão simples.
Muitos pacientes precisam de dois ou até três remédios diferentes todos os dias para manter a pressão sob controle. Isso significa várias pílulas, horários diferentes, possíveis esquecimentos e, consequentemente, dificuldade de adesão ao tratamento. Foi pensando nisso que surgiu uma grande novidade: um único comprimido capaz de reunir três medicamentos em uma só dose.
Pesquisadores brasileiros participaram de um ensaio clínico chamado OPTION TREAT, publicado em 29 de agosto de 2025, que avaliou justamente essa inovação. O comprimido combina três substâncias já conhecidas e muito utilizadas:
- Candesartana (um bloqueador dos receptores de angiotensina, que relaxa os vasos sanguíneos)
- Anlodipina (um bloqueador dos canais de cálcio, que ajuda a manter as artérias abertas)
- Clortalidona (um diurético, que auxilia na eliminação do excesso de líquidos e sal do corpo)
Na comparação, o grupo de controle recebeu outro comprimido triplo já existente, com valsartana, anlodipina e hidroclorotiazida.
Participaram do estudo mais de 700 pessoas com pressão alta não controlada, mesmo após já usarem dois medicamentos.
Resultados animadores
Após 12 semanas, os pacientes que usaram a nova combinação tiveram uma queda média da pressão sistólica (o número “de cima”) de 22,6 mmHg, contra 18,2 mmHg no grupo de comparação. Isso pode parecer pouco, mas, em saúde cardiovascular, cada milímetro conta: reduzir a pressão em 5 mmHg já diminui de forma importante o risco de derrame e infarto.
Além disso, quase 70% dos pacientes que tomaram o novo comprimido alcançaram o alvo de pressão abaixo de 140/90 mmHg – número significativamente maior do que os 59% do grupo de comparação.
Outro dado animador: mais de 90% dos participantes tomaram corretamente o remédio durante o estudo, mostrando que simplificar o tratamento realmente ajuda na adesão.
E quanto à segurança?
Todo medicamento pode ter efeitos colaterais, e era fundamental saber se essa nova combinação seria segura. Os resultados foram tranquilizadores: os eventos adversos mais comuns foram tontura, inchaço nas pernas e pressão baixa, ocorrendo em menos de 3% dos pacientes. Casos graves foram raros, e a taxa de abandono do tratamento foi baixíssima.
Por que este estudo é importante?
A pressão alta é responsável por milhares de mortes todos os anos. No Brasil, apenas cerca de 1 em cada 3 hipertensos tem a pressão bem controlada, mesmo usando medicamentos. Isso se deve a diversos fatores: acesso aos remédios, dificuldade de manter a rotina de tratamento e até desconhecimento sobre a gravidade da doença.
Ter à disposição um comprimido triplo, que reúne três mecanismos de ação diferentes, pode representar um avanço gigantesco:
- Facilita a vida do paciente (menos pílulas por dia)
- Aumenta a adesão ao tratamento
- Melhora os resultados no controle da pressão
- Reduz o risco de complicações fatais
Ainda há muito a estudar!
O estudo foi feito exclusivamente no Brasil e acompanhou os pacientes por 12 semanas. Ou seja, precisamos de pesquisas mais longas para confirmar os benefícios em desfechos como infarto e derrame ao longo dos anos. Mas os resultados iniciais são promissores e apontam para um futuro em que tratar a hipertensão será mais simples e eficaz.
29 de agosto de 2025
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