Vacina do HPV: um escudo duplo contra o câncer e as doenças cardíacas
Estudos indicam que essa infecção pode comprometer a saúde cardiovascular — mas o imunizante amenizaria essa encrenca
A vacina contra o HPV, conhecida por prevenir câncer, também pode ser uma aliada poderosa para a saúde do seu coração. Parece inusitado, mas um crescente corpo de evidências revela uma conexão inesperada entre o vírus do papiloma humano (HPV) e o risco de doenças cardiovasculares — e como esse imunizante seria capaz de atenuar os problemas.
Estudos mostram que pessoas infectadas com o HPV teriam até quatro vezes mais chances de desenvolver doenças cardiovasculares ateroscleróticas, doença arterial coronariana (DAC) e acidentes vasculares cerebrais (AVC). A descoberta é crucial, porque problemas do tipo continuam sendo a principal causa de morte globalmente.
Patógenos como o HPV podem influenciar a saúde cardiovascular de várias maneiras. Eles favorecem inflamações que possibilitam a ruptura de placas nas artérias, comprometendo a circulação. Aumentariam o consumo de oxigênio do miocárdio, o que sobrecarregaria o coração…
Embora essas hipóteses careçam de mais evidências para comprovar uma relação de causa e efeito, há uma ampla evidência que demonstra efeitos indiretos da infecção pelo HPV, através da liberação de mediadores inflamatórios e pró-trombóticos — ou seja, que estimulam a formação de coágulos capazes de entupir os vasos sanguíneos.
A boa notícia é que a vacina contra o HPV é praticamente 100% eficaz na prevenção da infecção. E o que isso significa para o seu coração? Um estudo notável aponta que a vacinação resultou na quase normalização do excesso de risco cardiovascular em mulheres vacinadas.
Isso sugere que, ao evitar a instalação do HPV, a vacina indiretamente protege o sistema cardiovascular. Embora mais pesquisas sejam necessárias, os dados iniciais são promissores.
O posicionamento da Sociedade Europeia de Cardiologia
A importância da vacinação como nova forma de prevenção cardiovascular não passou despercebida pela comunidade médica internacional. A Sociedade Europeia de Cardiologia, uma das mais respeitadas do mundo, reconheceu em um documento de consenso clínico que a imunização é uma medida preventiva eficaz não apenas contra infecções, como para evitar doenças cardiovasculares em pacientes de alto risco.
Esse manual, que avalia a literatura existente e a evidência acumulada, inclui as vacinas contra SARS-CoV-2, vírus sincicial respiratório (VSR) e herpes-zóster, entre outras, como aliadas do coração.
Para pegar um exemplo, a diretriz atual recomenda que pacientes que receberão transplante cardíaco devem tomar a vacina contra o HPV — se possível, antes do transplante. Isso, cabe destacar, sem restrições de idade ou sexo. Também já é preconizada a vacinação contra influenza, doença pneumocócica e outras infecções disseminadas, como covid-19, em pessoas com doenças das coronárias — as artérias que irrigam o coração.
As vacinas estão emergindo como um pilar fundamental das estratégias para reduzir a carga das doenças cardiovasculares, ao lado de medidas como o controle da pressão arterial, o manejo do colesterol e o tratamento do diabetes. Sim, elas são mais versáteis do que imaginávamos.
Se você tem dúvidas sobre a vacina do HPV — e, especialmente, se faz parte de grupos de risco —, converse com seu médico. Ele avaliará seu histórico de saúde, seus fatores de risco e fornecerá as orientações mais adequadas para o seu caso. A prevenção é o melhor caminho, e a vacinação ajuda a guiar essa jornada.
28 de agosto de 2025
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