Ultraprocessados em xeque: como eles afetam a testosterona e a saúde masculina
Conheça os efeitos do consumo habitual desses alimentos no organismo, sobretudo dos homens
Você já pensou que aqueles alimentos práticos e embalados — que parecem inofensivos pela comodidade — podem trazer riscos muito além das calorias extras? Uma pesquisa de peso, publicada na revista Cell Metabolism, acaba de mostrar que o modo como a comida é processada pode afetar diretamente a testosterona e a saúde masculina.
Foram avaliados 43 homens saudáveis, entre 20 e 35 anos. O desenho foi do tipo “crossover”, ou seja, cada participante consumiu 3 semanas de dieta ultraprocessada e, em outro momento, 3 semanas de dieta minimamente processada. Entre as duas fases, houve um intervalo de 12 semanas livres. Isso significa que cada voluntário serviu como controle de si mesmo, fortalecendo ainda mais a confiabilidade dos resultados.
Todas as refeições eram entregues prontas em casa, em pacotes com três refeições principais e dois lanches por dia. Ou seja: ninguém podia dizer que “escapou” da dieta — o estudo foi rigidamente controlado.
O que os participantes realmente comeram durante o estudo?
Na dieta ultraprocessada, os alimentos eram pré-preparados, embalados e de fácil consumo. Entre eles:
- Cachorros-quentes e salsichas industrializadas
- Refrigerantes adoçados
- Salgadinhos de pacote (chips)
- Cereais matinais açucarados
- Snacks embalados prontos para consumo
Já na dieta não processada, os cardápios incluíam refeições frescas, feitas com frutas, verduras, carnes magras e grãos integrais, que necessitavam de preparo mínimo antes de comer.
O que os pesquisadores encontraram?
Mesmo com calorias e nutrientes iguais (proteínas, carboidratos e gorduras), os efeitos foram muito diferentes:
- Na dieta ultraprocessada:
- Houve ganho de peso e aumento da gordura corporal.
- Observou-se queda significativa nos níveis de testosterona e outros hormônios sexuais masculinos.
- Foram detectados níveis mais altos de ftalatos — substâncias químicas ligadas a embalagens plásticas, conhecidas como disruptores endócrinos.
- Na dieta não processada:
- O peso e os níveis hormonais permaneceram estáveis.
A conclusão é clara: nem todas as calorias são iguais. O processamento industrial muda a forma como o corpo responde ao alimento.
No dia a dia, o que isso significa?
O estudo traz um alerta importante, mas sem necessidade de pânico. Não se trata de “proibir” alimentos ultraprocessados, e sim de equilibrar escolhas:
- Prefira alimentos frescos sempre que possível: frutas, legumes, carnes magras, grãos integrais.
- Leia os rótulos: menos ingredientes e nomes conhecidos significam menos processamento.
- Mastigue devagar e valorize o sabor natural: isso ajuda a controlar a saciedade.
- Escapadas são permitidas: ninguém precisa abolir para sempre o refrigerante ou o salgadinho. O segredo está na moderação.
- Conte com um nutricionista: ele pode orientar escolhas inteligentes e práticas para cada rotina, sem radicalismos.
Este estudo reforça uma sabedoria antiga da boa nutrição: não basta contar calorias, é preciso cuidar da qualidade dos alimentos. Respeitar o corpo passa por valorizar refeições mais naturais, sem deixar de lado a flexibilidade que torna a vida prazerosa.
29 de agosto de 2025
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